Canonical abandona Unity no Ubuntu 18.04 e mobile para focar em IoT e Cloud

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A Canonical anunciou que a próxima versão com suporte de longa duração do Ubuntu Linux, a 18.04 LTS — prevista para abril de 2018 —, terá o ambiente gráfico Gnome como padrão e não mais o Unity, que vinha sendo desenvolvido pela mesma desde 2010. Em um post publicado no blog oficial da companhia nesta quarta-feira (05), Mark Shuttleworth, fundador e idealizador do sistema operacional, deixou claro que o foco da empresa será em Internet das Coisas (IoT, na sigla em Inglês) e serviços de Cloud — duas áreas nas quais o Ubuntu é bastante forte no mercado.

“Nós estamos finalizando um excelente trimestre fiscal e um excelente ano para a companhia, com performance de muitos times e produtos que nos dão orgulho. Como estamos chegando ao final de um ano fiscal, é apropriado avaliar nossas iniciativas”, diz Shuttleworth. “Estou escrevendo para contar que encerraremos nosso investimento no Unity 8, os telefones e a plataforma de convergência”.

“O que o time do Unity 8 criou até agora é lindo, usável e sólido, mas eu respeito quer mercados e a comunidade tem a decisão final de quais produtos crescem e quais desaparecem”, disse, avaliando que estava errado em sua visão de que a industria de tecnologia e os fabricantes abraçariam uma alternativa aberta aos modelos de convergência disponíveis — sem citar nomes, mas provavelmente falando do Windows. “Na comunidade (de software livre), nossos esforços foram vistos como fragmentação e não como inovação”, desabafou.

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Ubuntu Unity pode ser encontrado pré-instalado em alguns notebooks Dell (Imagem: Divulgação)

Mark deixa claro que a escolha, apesar de difícil, é “investir em áreas que estão contribuindo para o crescimento da companhia”, como o próprio Ubuntu (desktop, servidores e VMs), serviços e produtos relacionados à Cloud (OpenStack, Kubernetes, MAAS, LXD, Juju e BootStack), além do desenvolvimento dos snaps e Ubuntu Core para Internet das Coisas (Internet of Things — IoT). “Todos eles tem suas comunidades, consumidores, valor de mercado e crescimento. Todos os ingredientes para uma empresa grande e independente”, completou.

Ainda de acordo com anúncio, todos as versões do Ubuntu como Unity continuarão a receber suporte até o fim dos seus respectivos cronogramas de atualização.

A curta história do Unity

O Unity estreou na versão 11.04 do Ubuntu, meio que empurrado pela Canonical para os usuários, que tinha a ideia de criar uma interface gráfica leve e unificada em todas as plataformas que a empresa pretendia investir: smartphones, tablets e TVs. Nenhuma das três caiu nas graças dos usuários —muito pela falta de interesse dos fabricantes em disponibilizar dispositivos rodando os sistema, mas também por abordar uma estratégia diferente dos demais concorrentes para o desenvolvimento de aplicativos que não atraiu os desenvolvedores.

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Ubuntu desktop sendo usado direto de um smartphone (Imagem: XDA)

E mesmo reinando no desktop com o Ubuntu, o Unity nunca foi o querido dos usuários e demorou pelo menos duas versões para se tornar realmente estável e usável. Muitas foram as reclamações, muitos foram os usuários que migraram para outras verões do Ubuntu com interface gráfica alternativa (Ubuntu Gnome, Kbuntu e Xubuntu, por exemplo) ou mesmo para outras distribuições Linux.

A decisão tomada por Shuttleworth não vai pegar ninguém de surpresa. Quem acompanhou todo o processo viu que a Canonical mais perdeu do que ganhou com toda a aventura de investir no Unity e na sua plataforma de convergência. Foram muitos os atrasos para entregar novas versões da interface gráfica, o servidor gráfico Mir — a peça principal para fazer o sistema funcionar tanto em celulares e tablets quando em desktop — nunca foi finalizado, nunca um fabricante de peso no mercado se interessou em lançar um aparelho rodando o sistema, etc. Motivos não faltaram no últimos anos.

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Galaxy Nexus rodando versão de desenvolvimento do Ubuntu Touch (Imagem: Divulgação)

Enquanto isso, o desenvolvimento do desktop ficou para trás. Boa parte das mudanças do Ubuntu pareciam que estavam apenas “sob o capô”, sem nenhum investimento sensível em nas funcionalidade e recursos de usabilidade para a plataforma que detém a quase totalidade dos seus usuários finais.

Outros concorrentes, como Fedora — que usa o Gnome Shell como interface padrão e é conhecido por trazer versões com o que há de mais novo em desenvolvimento no mundo Linux — ganharam mais espaço entre os usuários mais ávidos por novidades. E novos players focados em design e usabilidade, como o Elementary OS (Pantheon) e o Solus (Budgie), ambos derivados do código do Gnome, surgiram do nada para uma posição de destaque dentro da comunidade de software livre.

O Unity vai deixar saudades para poucos, mas vai servir de lição não apenas para a Canonical. Toda a comunidade Linux sabe o tempo, dinheiro e esforço intelectual que foram perdidos na aventura.

Como ter o Gnome no Ubuntu agora mesmo

O Gnome Shell não é novidade no Ubuntu. Apesar da distro ter abandonado o Gnome ainda não versão 2 (Classic), a versão 3 da interface gráfica tem sido distribuída com o Ubuntu regularmente através de uma versão extra-oficial — mas com suporte da Canonical.

A versão 16.10 do Ubuntu Gnome, lançada em outubro de 2016, vem com o Gnome Shell 3.20 por padrão — e alguns aplicativos atualizados para a versão 3.22 — e é bastante estável. Todos os aplicativos nativos do Gnome são os mesmos encontrados na versão mais recente do Unity, com poucas adições e diferenças entre eles.

Ainda é possível instalar o Gnome no Ubuntu sem formatar a máquina por completo. Basta instalar o pacote oferecido pelos mantenedores da distro direto dos repositórios oficiais e escolher que interface usar no momento em que logar no sistema.

Para isso, abra o Terminal e cole o código abaixo, uma linha por vez seguida de Enter.

sudo apt-get install gnome-shell
sudo apt-get install ubuntu-gnome-desktop

Uma tela será aberta. Escolha a opção lightdm e digite Enter.

Para trocar de interface gráfica, basta reiniciar (ou fazer logout) e clicar no ícone do Ubuntu ao lado do nome de usuário. Um menu será aberto com as opções “Ubuntu (default)” e “Gnome”. Basta escolher a desejada e fazer o login no sistema normalmente.

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