Captura de tela da página 404 do site Github

A Microsoft estaria conversando com o GitHub para aquisição do serviço, de acordo com publicação da Business Insider desta sexta-feira (01). A companhia, que está sem CEO desde a saída de Chris Wanstrath em agosto de 2017, está avaliada em mais de US$ 2 bilhões — valor levantado pela Sequoia Capital em 2015 durante uma rodada de investimentos de US$ 250 milhões.

Com uma receita anual estimada em US$ 200 milhões, o GitHub é o mais popular serviço web a utilizar o sistema git, um protocolo de versionamento de software criado por Linus Torvalds em 2005. Além de hospedar códigos-fonte de projetos e facilitar a colaboração de desenvolvedores de forma pública ou privada, o site também funciona como uma espécie de rede social para profissionais e estudante de TI divulgarem, acompanharem e avaliarem seus projetos pessoais.

Essa não é a primeira vez que a Microsoft tentar controlar o GitHub. Em 2017, a empresa teria sondado a companhia para fazer uma oferta, mas as conversas terminaram quando uma desenvolvedora do Windows esbarrou numa proposta de US$ 5 bilhões por parte do GitHub — que desde então estaria comprometida em se manter independente e eventualmente abrir o capital na bolsa.

A aquisição do GitHub por uma empresa gigante traria mais estabilidade para o serviço, mas por outro lado seria um golpe em desenvolvedores de pequenos projetos que ficariam reféns da estratégia comercial da Microsoft para a plataforma.

Hoje, basicamente qualquer pessoa ou pequena empresa pode criar um perfil no serviço, hospedar o código fonte e o site de divulgação (GitHub Pages) de um ou mais projetos de forma totalmente gratuita, permitindo que outros usuários apontem bugs, requisitem melhorias e enviem correções ou adições ao código original.

Muitos projetos importantes da comunidade open source começaram e se mantém até hoje no GitHub, como o WordPress, as distribuições Elementary OS e Pop! OS, da System 76, e até mesmo o kernel no Linux.

Se confirmado, o futuro do GitHub é incerto

O que aconteceria se a Microsoft ou um novo CEO ligado à companhia decidisse começar a cobrar por volume de utilização em pequenos projetos, ou limitasse a criação deles na plataforma com a intenção de aumentar a receita?

Vale lembrar as mudanças que a empresa impôs dentro do LinkedIn, após adquirir o serviço em 2016, forçando a integração entre as duas plataformas.

Essas estratégias certamente diminuiriam o interesse de desenvolvedores independentes, especialmente os que estão focados em projetos de código aberto.

Talvez esta seja a oportunidade para começar a testar alternativas como o GitLab, um forte concorrente amplamente utilizado por grandes empresas e organizações como IBM, Sony, NASA, Alibaba, Invincea, O’Reilly Media, CERN e SpaceX.

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