Image com logo do Windows e o Tux, pinguim mascote do Linux

O Windows 7, lançado 9 anos atrás, ainda é uma das versões mais populares do sistema operacional da Microsoft, sendo usado em até 36,9% dos computadores, de acordo com a empresa de consultoria NetMarketShare. Com o anúncio de que seu suporte será encerrado em 14 de janeiro de 2020, estes usuários vão ter uma dura escolha a fazer: migrar para versões mais recentes, como o Windows 10, ou encontrar alternativas.

Para empresas, esse pode ser um passo ainda mais difícil de decidir. De acordo com a Kollective, estúdio de soluções de comunicação de vídeo para produtos das Microsoft, 43% do mercado corporativo ainda usa o Windows 7 como padrão — e para continuar tento suporte estendido, uma empresa com 1000 máquinas teria que desembolsar US$ 140 mil por ano.

Optar pela migração também não sai barato. Por causa do programa Windows as a Service, que continuamente atualiza a versão mais recente do sistema com novidades — algumas que inclusive chegam a quebrar o funcionamento de programas ou mesmo do próprio Windows —, os custos com o departamento de TI podem subir significativamente em um curto período de tempo.

Buscar uma alternativa para ambos os cenários é o ideal. É preciso ser barato, estável e compatível com hardwares não muito atuais — se você já trabalhou em um escritório qualquer, sabe que isso é a realidade comum —, ter suporte por um investimento acessível e ser bem documentado para facilitar o trabalho da equipe de TI. É aí que entra o Linux, que se encaixa em todas estas características.

Passado o medo e o preconceito inicial com os sistemas operacionais baseados no Linux, é possível fazer uma migração indolor pra a distribuição do sistema do pinguim que mais se encaixa nas suas necessidades. Distros como o Ubuntu, tem versões com tempo de suporte prolongado com até 5 anos de atualizações e correções. Outras podem funcionar em um esquema de rolling release, sem pontos fixos de versão — depois de instalado, o sistema se atualiza quase que diariamente com pequenas correções que não atrapalham o usuário.

Para facilitar sua vida, fiz uma lista com 5 sistemas baseados em Linux que se encaixam na primeira opção citada a cima. A meu ver, é a alternativa que exige menos esforço para quem está se familiarizando com a nova plataforma e tem ciclos de atualizações mais fáceis de compreender.

Ubuntu 18.04 LTS

Lançado no final de 2004 pela empresa britânica Canonical, o Ubuntu logo se tornou uma das mais populares distribuições do Linux, tanto no mercado corporativo quanto no uso doméstico. É a escolha número em órgãos governamentais e grandes corporações por sua estabilidade, compatibilidade e grande oferta de aplicativos.

Entre os entusiastas gamers, o Ubuntu também é bem popular. O instalador da loja da Steam pode ser encontrado nos repositórios da distribuição e instalado direto da loja de aplicativos.

Outra grande vantagem do Ubuntu é que ele vem com o ambiente de desktop Gnome instalado por padrão, também muito popular. Uma das características do Gnome é a função de Contas Online, onde o usuário pode fazer login em contas de serviços como Google, Facebook, Microsoft, Nextcloud e Flickr e tê-los integrados automaticamente ao sistema.

Depois de fazer login com o Gmail, você começará a ver notificações do Google Agenda integrados ao calendário do sistema, poderá salvar documentos no Google Drive direto do gerenciador de arquivos e enviar e receber e-mails no Geary. Para quem já está acostumado com Android no celular, o Gnome oferece uma transição rápida para iniciantes no Linux.

O Ubuntu oferece dois ciclos de atualizações. A versão Lorg-Term Support (LTS) é lançada a cada dois anos e tem um suporte longo de cinco anos, ideal pra usuários que preferem estabilidade e não pretendem ficar formatando o computador com frequência — podendo até pular uma versão LTS e só formatar novamente quando a seguinte for lançada, já que os lançamentos se sobrepõem.

Já quem prefere ter sempre as últimas novidades rodando no sistema, pode baixar as versões de ciclo curto, que são lançadas a cada seis meses (com suporte de 9 meses), sempre em abril ou outubro — por isso a numeração sempre termina em .04 e .10, precedida pelo ano em que foram lançadas. Logo, o Ubuntu 18.04 LTS foi lançado em abril de 2018 e terá suporte até abril de 2023. Já a versão 18.10, de outubro de 2018, tem suporte programado até junho de 2019.

KDE Neon

Se você não curtiu a cara do Gnome, o que não faltam são alternativas. E o KDE é uma delas. Em 2016, os desenvolvedores do popular ambiente desktop criaram a distribuição KDE Neon, um sistema operacional baseado na estabilidade das versões LTS do Ubuntu combinado com as últimas novidades do KDE Plasma.

O KDE, apesar de muito moderno e poderoso, tem um design que se assemelha muito às versões clássicas do Windows. Se você está migrando do Windows 7 ou (bate na madeira!) Windows XP, certamente terá uma curva de transição muito agradável.

O consumo de memória RAM em distros que usam KDE por padrão também costuma ser notavelmente menor. Se o seu hardware tem uma configuração mais modesta, talvez essa seja a alternativa ideal para o seu uso.

Zorin OS 12+

O Zorin OS é uma distro que não poderia faltar nesta lista. Também baseada nas versões LTS do Ubuntu, o Zorin foi desenvolvido como um sistema operacional para usuários de Windows que planejam migrar para o Linux.

Já ao logar pela primeira vez no sistema, o usuário é apresentado com a opção de mudar a interface do sistema para três estilos diferentes: um mais parecido com o layout clássico de desktop do Windows, bem similar ao Windows XP; um estilo mais minimalista e claramente inspirada no Windows 7; e uma terceira opção similar à interface do Gnome.

Outra vantagem do Zorin é a possibilidade de instalar programas do Windows, usando a camada de compatibilidade do Wine que já vem instalada por padrão no sistema. Com o Wine, você pode simplesmente baixar o aquivo .exe de qualquer programa e instalar como se fosse nativo para o sistema.

Com o Play on Linux, você não precisa abandonar seus jogos do Windows. Se não encontrou uma versão para Linux (ou não está no catálogo da Steam), basta baixar a versão Windows no PoL e deixar o Wine se encarregar do resto.

Deepin OS 15+

Contemporâneo do Ubuntu, o Deepin OS foi criado em 2004 pela Wuhan Deeping Technlogy para trazer o melhor do open source, mas sem deixar de lado software proprietários relevantes, como Google Chrome, Spotify e WPS Office. É baseado no Debian, uma das distribuições mais estáveis e que serve de base para outros sistemas, como o próprio Ubuntu, e utiliza bibliotecas do KDE como alicerce para o seu ambiente de desktop, o DDE.

O grande diferencial do Deepin é o elemento estético. Logo de cara dá pra reconhecer o capricho com o qual os desenvolvedores trabalham no design da distro, trazendo um visual moderno, leve e bastante agradável.

Além da beleza, o Deepin também se destaca por oferecer uma grande quantidade de aplicativos nativos, como calendário, players de música e vídeo, instalador de fontes, assistente remoto, assistente de apresentações e ferramenta para usar impressoras remotas. A lista é enorme e garante que, durante a utilização no dia a dia, o usuário raramente vai rodar um programa que não segue as mesmas regras estáticas da distro.